15 dezembro, 2010

Biblioteca de São Paulo no Parque da Juventude

Pela janela do metrô ao chegar na estação Carandirú a vista não é mais cinza a muito tempo, a paisagem é verde e alegre, no lugar da guerra a paz.
Em pontos isolados da cidade existem parques perdidos em meio a tanta poluição e estresse e neles as árvores, as flores, playgrounds, gramados, estarão sempre a espera das pessoas.
No Parque da Juventude você encontra tudo isso, a qualidade de vida está em refugiar-se por alguns instantes do estresse da cidade.
Tem várias quadras esportivas, inclusive uma pista para manobras de skate, a criançada e até mesmo adultos gastam muita energia nele, sempre que vou lá vejo um moleque danado que deve ter no máximo oito anos, sempre está com seu skate nos pés, quando não, muito bem seguros por debaixo de seus bracinhos.
Trilha para caminhada, com bebedouros por todo o percurso, só tome cuidado para não tomar um banho, não sei o que acontece mas a torneira é um verdadeiro esguicho quando abre um verdadeiro desperdício, tem coisas que não dá pra entender.
Lá a sua bike é bem vinda desde que pedale com prudência para evitar acidentes, há muitas crianças por todo o parque principalmente aos domingos.
Uma coisa notável são os aparelhos para ginástica ao ar livre de uso exclusivo aos cadeirantes, mas infelizmente todas as vezes que vou ao parque nunca vi nenhum cadeirante utilizando os aparelhos e fico pensando, porque? Por falta de divulgação talvez? Pelas dificuldades de cada um de chegar até o parque? Uma pena! Uma pena mesmo, aqueles aparelhos foram feitos exclusivamente para eles.
Cães também tem um espaço para interagirem e brincarem com seus donos em um enorme gramado.
Na Biblioteca tem atividades além da leitura, como por exemplo oficinas, palestras, saraus, shows, internet... A leitura pode ser feita com tranquilidade e conforto. Colorida e iluminda a biblioteca tem um clima jovem e moderno incentivando assim as pessoas a voltarem outras vezes. Aviões de papel flutuam no ar e biombos decoram o chão. Crianças se divertem no setor direcionado a eles com material de leitura e internet. E quem disse que biblioteca não é lugar para os pequenos se engana, envolvidas no lúdico elas soltam a imaginação. Com uma galera ou apenas de passagem, por que não conhecer o Parque da Juventude e dar uma passadinha na Biblioteca, quem sabe você não se empolga e acaba fazendo a carteirinha, suas coisas ficam seguras em um armário e você livre, leve e solto para folhear uns livros, ler algum, navegar na internet, assistir um filme, conhecer pessoas...


Onde fica: Parque da Juventude - Av. Cruzeiro do Sul, 2630 Santana 

Bienal do livro

Nunca havia participado de uma Bienal do Livro, evento que acontece todo ano em São Paulo, me sentindo desatualizada e curiosa a respeito, na sexta-feira dia 20 consegui entrar na Bienal por apenas cinco reais graças a carteirinha do Sesc. O que vi lá dentro foi um comércio gigantesco de livros. O que me fez entender o porque de tanta propaganda na mídia. Havia muitas pessoas lá, inclusive excursões escolares, as crianças eram quem mais se divertiam, tudo é festa, um dia a menos dentro da escola, para isso acontecer vale tudo, até ir numa feira de livros. Mas o que mais chamava a atenção não só delas mas como da maioria das pessoas era o estande virtual demonstrando e-books e tablets pc. Meio extranho pensar em um dia todos lendo histórias em e-books e ver o livro apenas como uma peça de museu: - Olha filho era nele que liamos, estudavamos, está vendo ele é de papel, rasga, molha e amarela com o tempo e não dava pra ler no escuro! Acredito que isso irá acontecer assim como aconteceu com o vinil, mas eu não vou negar que acho muito mais prático baixar músicas na internet e armazená-las no mp3 e ouvi-las a qualquer momento, em qualquer lugar num ato egoísta e solitário. Sim eu faço isso. Pensando em relação ao livro acho que eu "não vou me adaptar" o bom do livro é folhea-lo, sentir o papel com os dedos e aquele barulho de virando a página, o marcador personalizado sempre com algum dizer ou imagem, a capa mágica que representa a porta de entrada dos mais infinitos mundos. Brisas a parte, os tablets pc são uma tentação virtual, os olhos se enchem e brilham, as mãos querem tocar e a sensação que se tem é que uma gota de bába vai escorrer das bocas abertas dos menos remunerados e simplórios assalariados ao fazer o teste drive no aparelho. Mas a Bienal é sobre o que mesmo? Vi livros de todos os temas, para todos os tipos de leitores, as editoras caprichavam no visual dos estandes. Palestrantes ilustres faziam a diferença no evento. Assisti a uma palestra com o tema "tribos urbanas" com a participação de um Antropólogo, um Grafiteiro, uma Cosplay e uma representante da revista Capricho. Aprendi com o Antropólogo que não é correto usar a palavra tribo e sim circuito de jovens, segundo a antropologia eles expressam suas diferenças e circulam pela cidade são os "jovens da metrópolis" até arrisquei fazendo uma pergunta sobre a relação dos circuitos de jovens "tribos" e seus ídolos dando exemplo a caminhada que iria acontecer no sábado dia 21 em comemoração a morte de Raul Seixas. A representante da revista Capricho fez questão em responder utilizando como exemplo também, uma máteria que estão trabalhando em cima desse assunto mas para a minha tristeza o ídolo em foco será Justin Bieber. Assisti a palestra até o final com o macaco na mão que comprei no estande de livros infantis, comprava o macaco e ganhava um livro ou seria o contrário comprava o livro e ganhava o macaco, bom isso não importa, o importante é que o macaco é da WWF Brasil e o livro fala sobre a Mata Atlântica e o preço cabia no meu bolso, 10 reais! É um incentivo a leitura para a criançada, eles aprendem se divertindo fazendo do livro um brinquedo. Andando pelos corredores observei um estande muito movimentado e lotado, todo de vidro, de fora viamos o que acontecia lá dentro, era uma palestra e até comentei; "nossa está bem animado aqui, não sei o que é mas perdi isso". Quando notei que o cantor Arnaldo Antunes era um dos participantes da palestra, daí cheguei a afirmação, "poxa perdi mesmo". Sem caber mais ninguém lá dentro o jeito foi ir ver alguns livros. Aliás vi muitos livros interessantes e legais por lá e até compraria se não fossem tão caros por serem lançamentos, um deles é o livro "Com Amor" escrito pela irmã da Janis Joplin. E o livro do Ozzy Osbourne será que é legal? Bom quanto ao livro não sei não, mas que a propaganda é grande ah isso é!!! Se você foi ou não foi na Bienal não se preoculpe, a boa leitura independe do local onde você compra seu livro, sendo um grande lançamento ou não, pagando caro ou barato, alugando na biblioteca, lendo num e-book ou num livro velho de Sebo, o importante é ler, espontaneamente.