23 maio, 2011

Ele Chamará

Eu cresci em uma família bem religiosa, frequentávamos o Salão do Reino três vezes por semana, fora os estudos em família e pessoal. Em casa tem até hoje uma biblioteca de literaturas teocráticas as quais me levavam a assuntos diversos, isso eu sempre admirei e admiro até hoje na religião da minha família, esse incentivo da sociedade Torre de Vigia no aprendizado diverso não somente e exclusivo o bíblico. Livros, revistas, brochuras tantos temas e tantos anos de estudo pessoal desde pequena até a adolescencia me deram uma ampla visão sobre os mais variados temas e culturas e o mais importante o gosto pelo aprender. Cantávamos cânticos de louvores, treinávamos em casa para não fazer feio nas reuniões. E sonhar em participar da orquestra de Watch Tower of Pennsylvania era coisa normal. As Melodias do Reino eram inspiradoras por demais. Esse é o lado bom da religião principalmente quando você vem de uma família pobre, num lugar pobre, em uma época mais pobre ainda. Mesmo sendo apontados na rua como chacota ao passarmos de pasta carregando nossas bíblias eu e meus irmãos éramos diferentes não tinha jeito, nos orgulhávamos de nosso Deus e ser TJ era coisa normal para nós, nós nascemos assim nessa condição religiosa e convivo nela até hoje mesmo não frequentando mais. Assisto meus parentes pecarem e pedirem perdão pelos pecados constantemente. Hoje isso tudo não me é um orgulho tão pouco uma vergonha apenas um fato. Me afastar de uma religião que me proporcionou tanta boa leitura e conhecimento em suas literaturas, foi uma conseguência do livre arbítrio. E fico pensando como podemos mudar tanto no decorrer de uma vida, a minha fé era inabalável, inexorável jamais pensava em deixar de seguir aquele caminho. Assim como anos mais tarde eu jurava nunca deixar de me vestir de preto e ouvir rocknroll. Hoje em dia acordo cantarolando Tribo de Jáh outras vezes aumentando o som do Matanza, acredito que a liberdade musical está variavelmente coligada ao estado de espírito. E esse meu espírito tem vários estados que a liberdade musical me proporciona variar constantemente de acordo com o meu prazer. Já na religião liberdade é coisa rara. Dentre a estrada larga e estreita aos meus dezoito anos resolvi caminhar na estrada larga a qual biblicamente não é uma boa escolha, mas quem sabe pode ser que eu volte, um dia eu volte quem sabe, já que Deus está sempre disposto a perdoar os pecados. O que não gosto é a superioridade perante os outros "semelhantes" que o fanatismo causa nas pessoas. Dizem que estou iludida pelo mundo, por suas luzes. E eu acredito que eles estão iludidos pela bíblia, por suas promessas. Assim como um dia eu também estive.
 "A vida é qual bruma lá do Mar, não dura muito tempo,tudo que somos pode acabar."