04 setembro, 2012

Agora

Agora que agora é nunca  
Agora posso recuar  
Agora sinto minha tumba 
Agora o peito a retumbar 
Agora a última resposta
Agora quartos de hospitais
Agora abrem uma porta
Agora não se chora mais
Agora a chuva evapora

Agora ainda não choveu
Agora tenho mais memória
Agora tenho o que foi meu
Agora passa a paisagem
Agora não me despedi

Agora compro uma passagem
Agora ainda estou aqui
Agora sinto muita sede
Agora já é madrugada

Agora diante da parede
Agora falta uma palavra
Agora o vento no cabelo
Agora toda minha roupa

Agora volta pro novelo
Agora a língua em minha boca
Agora meu avó já vive
Agora meu filho nasceu

Agora o filho que não tive
Agora a criança sou eu
Agora sinto um gosto doce
Agora vejo a cor azul
Agora a mão de quem me trouxe

Agora é só meu corpo nú
Agora eu nasço lá de fora
Agora minha mãe é o ar
Agora eu vivo na barriga
Agora eu brigo pra voltar

Agora Agora Agora

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