29 março, 2014

Lâmpada Flutuante

"Flutuando em tão grande profundidade, afastado do meu querido barquinho, pareceu impossível ter chegado até ali, naquela minúscula casquinha que balançava solitária, desabitada em pleno oceano. Senti um profundo arrepio e subi imediatamente a bordo."
Era a Lâmpada Flutuante, um barco pequeno a remos, que partiu da África com destino ao Brasil.
Falar em coragem apenas, seria desmerecer toda uma preparação e experiência com navegação que  Amyr Klink carregava a bordo.
Uma viagem dessa realmente o cara tem que saber muito bem o que está fazendo, sua segurança, de que tudo daria certo é uma característica marcante no livro.
A maneira como ele conta os detalhes da viagem, me faz imaginar a sensação da imensidão ao seu redor, a profundidade aos seus pés, o silêncio em noites tranquilas...
Gosto da parte que relata seu contato com os tubarões, baleias, peixes voadores, aves migratórias e os inúmeros dourados que lhe faziam companhia e já conheciam a distancia da remada, assim esquivando-se dos remos acompanhavam o barco por dias e noites seguidos.
Fico imaginando, ele lá no breu da noite, no meio da imensidão do oceano atlântico, o espetáculo de um céu estrelado que ele possa ter admirado. Não sei mas acredito que não deva ter lugar mais incrível para se fazer isso. Sem luzes para ofuscar o brilho, sem ruídos para desviar o pensamento, deve ser realmente um céu digno de uma Lacrimosa.